confesso que nunca dobrei minha bicicleta dobrável.
apenas decidi deixar em um lugar mais vertical o que anda esparso na escrivaninha que virou mais depósito do que lugar de trabalho
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
23 de fevereiro de 2009, recife, carnaval e manu chao
o melhor 3/4 de show que vi na vida.
falta um dia pro carnaval acabar e o ápice foi atjngido.
méritos, quase todos, ao próprio manu chao, capaz de transformar um possível defeito - a autorreferenciação de suas músicas - em qualidade.
justamente por usar várias vezes a mesma base, ele é capaz de se reinventar dentro de cada show. faixas familiares se transformam em releituras, quase um cover de si mesmo. e o público é capaz de experimentar um misto de reconhecimento e estranheza. ideal para manter a animação da plateia.
aliás, o público é responsável por boa parte dea qualidade do show. faz toda a diferença quando, ao seu redor, há uma imensa sinergia. porque você olha prum lado e tem alguém pulando, olha pro outro e tem alguém extasiado. e, simples assim, temos uma catarse coletiva.
parecia woodstock. palco montado num campo de varzea. lama. chuva torrencial. pouca gente. mesmo objetivo. aproveitar.
e manu chao teve o mesmo objetivo. 2 horas e meia de show. com vigor. sem parar. rompendo o protocolo. voltando duas vezes ao palco (para além do bis protocolar). batendo o microfone no peito pra fazer percussão. chamando gogol bordello pra mais que uma jam conjunta, pra quase um show dentro do show. pulando junto com o público. até o fim. me fazendo pular junto mesmo que as pernas reclamassem. me dando a certeza que é desse jeito que quero envelhecer. como manu chao e gogol bordello. pulando na lama em meio a riffs e batidas.
e a parte final dos méritos cabe ao folclore. foram tantas dificuldades pra estar no show que apenas conseguir sair do chegar já foi uma vitória, já deu a sensação de superação de adversidades.
estávamos jo centro, marco zero de recife. segunda de carnaval e lotado. íamos pro polo nkva descoberta quando o céu decidiu desabar sobre nossas cabeças. iludidos e protegidos, esperamos o temporal passar ou, ao menos, diminuir. não diminuiu. emprestamos sacos de lixo de um cafe, tentando nos manter secos enquanto caçávamos um táxi. não nos manteve secos. entre tantos táxis disoutados, achamos um livre. parecia que as coisas começavam a melhorar. não melhoraram. o táxi, e todos os carros, não andavam por conta do congestionamento. pagamos uma corrida que não durou nem 25 metros e saímos na chuva, entre carros, atravessando pontes e buscando um táxi num local que andasse. e, com custo, achamos. mas o motorista não conhecia o local do show e tivemos de parar algumas vezes pedindo informações. com tanta coisa ter perdido apenas 20 minutos de show foi um milagre.
e nos fez chegar com ganas de aproveitar. gana que estava refletida nos demais presentes. e, te digo, aproveitamos.
e os percalços me fizeram perceber que, sim, tudo pode melhorar. mesmo quando parece perdido.
e pode ser ingênuo. e pode ser que eu estivesse cercado de uma felicidade ilusória. mas não consigo deixar de crer que o mundo estaria melhor se estivese cheio de gente assim. e que sempre quero ser um deles.
a capacidade de incendiar um show varia de artista pra artista. assim como cada público tem maior ou menor grau de combustão. naquela segunda de carnaval eu diria que um piromaníaco encontrou um estoque de gasolina.
falta um dia pro carnaval acabar e o ápice foi atjngido.
méritos, quase todos, ao próprio manu chao, capaz de transformar um possível defeito - a autorreferenciação de suas músicas - em qualidade.
justamente por usar várias vezes a mesma base, ele é capaz de se reinventar dentro de cada show. faixas familiares se transformam em releituras, quase um cover de si mesmo. e o público é capaz de experimentar um misto de reconhecimento e estranheza. ideal para manter a animação da plateia.
aliás, o público é responsável por boa parte dea qualidade do show. faz toda a diferença quando, ao seu redor, há uma imensa sinergia. porque você olha prum lado e tem alguém pulando, olha pro outro e tem alguém extasiado. e, simples assim, temos uma catarse coletiva.
parecia woodstock. palco montado num campo de varzea. lama. chuva torrencial. pouca gente. mesmo objetivo. aproveitar.
e manu chao teve o mesmo objetivo. 2 horas e meia de show. com vigor. sem parar. rompendo o protocolo. voltando duas vezes ao palco (para além do bis protocolar). batendo o microfone no peito pra fazer percussão. chamando gogol bordello pra mais que uma jam conjunta, pra quase um show dentro do show. pulando junto com o público. até o fim. me fazendo pular junto mesmo que as pernas reclamassem. me dando a certeza que é desse jeito que quero envelhecer. como manu chao e gogol bordello. pulando na lama em meio a riffs e batidas.
e a parte final dos méritos cabe ao folclore. foram tantas dificuldades pra estar no show que apenas conseguir sair do chegar já foi uma vitória, já deu a sensação de superação de adversidades.
estávamos jo centro, marco zero de recife. segunda de carnaval e lotado. íamos pro polo nkva descoberta quando o céu decidiu desabar sobre nossas cabeças. iludidos e protegidos, esperamos o temporal passar ou, ao menos, diminuir. não diminuiu. emprestamos sacos de lixo de um cafe, tentando nos manter secos enquanto caçávamos um táxi. não nos manteve secos. entre tantos táxis disoutados, achamos um livre. parecia que as coisas começavam a melhorar. não melhoraram. o táxi, e todos os carros, não andavam por conta do congestionamento. pagamos uma corrida que não durou nem 25 metros e saímos na chuva, entre carros, atravessando pontes e buscando um táxi num local que andasse. e, com custo, achamos. mas o motorista não conhecia o local do show e tivemos de parar algumas vezes pedindo informações. com tanta coisa ter perdido apenas 20 minutos de show foi um milagre.
e nos fez chegar com ganas de aproveitar. gana que estava refletida nos demais presentes. e, te digo, aproveitamos.
e os percalços me fizeram perceber que, sim, tudo pode melhorar. mesmo quando parece perdido.
e pode ser ingênuo. e pode ser que eu estivesse cercado de uma felicidade ilusória. mas não consigo deixar de crer que o mundo estaria melhor se estivese cheio de gente assim. e que sempre quero ser um deles.
a capacidade de incendiar um show varia de artista pra artista. assim como cada público tem maior ou menor grau de combustão. naquela segunda de carnaval eu diria que um piromaníaco encontrou um estoque de gasolina.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
garatuja inaugural
a vida é garrancho, letras tremidas, linhas indecifráveis.
massàs vezes aparecem uns lampejos de limpidez. a tal da plenitude.
e são nesses clarões que vou encontrando algumas certezas transformadoras, umas verdades que se fortalecem. ainda incompletas, mas sendo cercada, encurralada, quase definida.
quase.
quase.
quase lá...
.
.
.
se foi.
ainda vou falhar nesse processo. muito. e mais.
mas sigo. tentando. e testando. e pouco atestando verdades que me caibam e me bastem. mas que já me servem, ja´ me são mais que suficientes, . já me alimentam o dia.
a vida e' rascunho. mas nao se deixa passar a limpo.
e, mesmo com linhas incompletas, frases desconexas e palavras descabidas, às vezes a gente encontra uns trechos que fazem sentido.
talvez maior parte desse blogue seja apenas um desabafo confuso ao meu umbigo. reflexões espasmódicas que pouco interessam.
mas talvez algo me caiba, talvez exista algo a ser polido em meio a esse papéis soltos que a bagunça da escrivaninha me vomitou.
pelo menos, enquanto digito o que encontrei nessa balbúrdia, minha escrivaninha vira algo alem de depósito do cotidiano, e a poltrona deixa de ser cabideiro.
já não dá pra dizer que o tempo foi de todo perdido.
massàs vezes aparecem uns lampejos de limpidez. a tal da plenitude.
e são nesses clarões que vou encontrando algumas certezas transformadoras, umas verdades que se fortalecem. ainda incompletas, mas sendo cercada, encurralada, quase definida.
quase.
quase.
quase lá...
.
.
.
se foi.
ainda vou falhar nesse processo. muito. e mais.
mas sigo. tentando. e testando. e pouco atestando verdades que me caibam e me bastem. mas que já me servem, ja´ me são mais que suficientes, . já me alimentam o dia.
a vida e' rascunho. mas nao se deixa passar a limpo.
e, mesmo com linhas incompletas, frases desconexas e palavras descabidas, às vezes a gente encontra uns trechos que fazem sentido.
talvez maior parte desse blogue seja apenas um desabafo confuso ao meu umbigo. reflexões espasmódicas que pouco interessam.
mas talvez algo me caiba, talvez exista algo a ser polido em meio a esse papéis soltos que a bagunça da escrivaninha me vomitou.
pelo menos, enquanto digito o que encontrei nessa balbúrdia, minha escrivaninha vira algo alem de depósito do cotidiano, e a poltrona deixa de ser cabideiro.
já não dá pra dizer que o tempo foi de todo perdido.
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